sexta-feira, 20 de janeiro de 2006
Aviso aos Pais e tios!!!
Fui surpreendido esta semana com a notícia que mais temia ouvir em toda a minha vida.
Confesso que sendo pai há três anos estou mentalmente preparado praticamente para tudo; o flagelo da droga; os gangs... etc. Mas o que eu mais temia aconteceu, o meu filho olhou-me nos olhos e disse-me: "xou do PORTO".
Naquele momento tudo parou para mim (qual experiência de morte). Vi a minha alma a sair do meu corpo e dei por mim a flutuar no tecto da sala olhando de cima para mim e para o meu filho, vi o longo túnel com a luz ao fundo, mas, de repente fui sugado novamente para dentro de mim próprio. Nessa noite não dormi a pensar no que terei falhado ou feito para merecer tal castigo.
Com o passar das horas fui-me habituando a ideia. Até porque existem pelo menos quatro semelhanças entre o meu filho de três anos e o PORTO:
1- O meu filho gosta de ser levado ao colo.
2- O meu filho não sabe jogar futebol.
3- O meu filho tem quem resolva por ele os seus problemas.
4- O meu filho não tem dinheiro mas tem tudo "do bom e do melhor"
Confesso que sendo pai há três anos estou mentalmente preparado praticamente para tudo; o flagelo da droga; os gangs... etc. Mas o que eu mais temia aconteceu, o meu filho olhou-me nos olhos e disse-me: "xou do PORTO".
Naquele momento tudo parou para mim (qual experiência de morte). Vi a minha alma a sair do meu corpo e dei por mim a flutuar no tecto da sala olhando de cima para mim e para o meu filho, vi o longo túnel com a luz ao fundo, mas, de repente fui sugado novamente para dentro de mim próprio. Nessa noite não dormi a pensar no que terei falhado ou feito para merecer tal castigo.
Com o passar das horas fui-me habituando a ideia. Até porque existem pelo menos quatro semelhanças entre o meu filho de três anos e o PORTO:
1- O meu filho gosta de ser levado ao colo.
2- O meu filho não sabe jogar futebol.
3- O meu filho tem quem resolva por ele os seus problemas.
4- O meu filho não tem dinheiro mas tem tudo "do bom e do melhor"
Mijadinha de nada
Vinha o Sócrates e uma comitiva de seguranças caminhando na rua, quando o 1º Ministro se viu apertado para urinar:
- E agora, companheiros, o que faço?
- Faça aí mesmo, senhor 1º Ministro, disse um dos seus acessores. Nós fazemos uma barreirinha!
Nisso, um polícia que passava viu o acto em via pública.
- Ahá! Apanhei-te! Isso é atentado ao pudor! Oh! Desculpe senhor 1º Ministro, não vi que era o senhor...
- Não, companheiro, a lei é para todos. O que eu estava a fazer está errado e o Senhor vai multar-me e até prender se for o caso.
- Senhor 1º Ministro, não vou prender o senhor...
- Vai sim, se estiver na lei.
- Não, não vou...
-Vai!
- Senhor 1º Ministro... o senhor já fez tanta "cagada", acha que eu vou prendê-lo por uma "mijadinha" de nada...?
- E agora, companheiros, o que faço?
- Faça aí mesmo, senhor 1º Ministro, disse um dos seus acessores. Nós fazemos uma barreirinha!
Nisso, um polícia que passava viu o acto em via pública.
- Ahá! Apanhei-te! Isso é atentado ao pudor! Oh! Desculpe senhor 1º Ministro, não vi que era o senhor...
- Não, companheiro, a lei é para todos. O que eu estava a fazer está errado e o Senhor vai multar-me e até prender se for o caso.
- Senhor 1º Ministro, não vou prender o senhor...
- Vai sim, se estiver na lei.
- Não, não vou...
-Vai!
- Senhor 1º Ministro... o senhor já fez tanta "cagada", acha que eu vou prendê-lo por uma "mijadinha" de nada...?
quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Viva a verdade desportiva!
«As regras têm de ser iguais para todos». Dito assim, sem máculas, soa muito bem. É um mandamento futebolístico, um princípio fundamental para quem anda de rosto erguido. A frase, porém, não pode ser proferida de forma desabrida. O decoro é exigido a quem não tem legitimidade sequer para a sussurrar. Muito menos para a gritar com tiques de ofendida. Mas o curioso é que o faz, do alto de um pedestal tão frágil como os seus telhados de vidro.
A questão é simples: ou se é sério ou não se é. Não há meio termo, nem importa tentar emendar a mão ou recorrer a cosméticos de loja dos 300. É muito feio querer ficar bem na fotografia com gestos de falso samaritano, é escabroso apregoar o que não se tem. Neste caso, bons princípios.
O que se passou no Estoril-Benfica da temporada passada tresanda a intrujice. Com que fins é que uma equipa dá um tiro no próprio pé? Por que será que faz questão de alargar uma sepultura da qual até se podia salvar? As falsas ofendidas dirão que aqui não se detecta o aroma do esturro. Mas também só sabem mentir, enganar e enlear. Até são capazes de dizer que já não têm interesse directo no emblema rival quando, na realidade, como ainda recentemente se percebeu, continuam bem emaranhadas na sua sociedade moribunda. De pudicas, como se constata, nada têm.
Mas a bizarria projecta-se em episódios repetidos. Onde é que ficam os princípios, a transparência e a verdade desportiva quando se contrata atletas de um adversário imediato? É claro que podem jurar de forma pungente que Fonte rescindiu unilateralmente o seu vínculo com o V. Setúbal sem ser espicaçado por ninguém. Mas será que alguma alma acredita? Que atleta prefere o desemprego a um contrato de trabalho? E o guarda-redes de que tanto se falou? Apenas foi abordado no dia da famosa e, aparentemente, impune bofetada?
«O que conta é o futebol português e a sua própria credibilidade». Dito assim, sem máculas, soa muito bem. Mas será que os três pontos averbados na tal vergonha algarvia não podem ter decidido o campeonato transacto? E como teria finalizado o V. Setúbal-Benfica se Fonte estivesse no posto onde se tornou visível na Liga 2005/06? São questões em aberto, desafios aos quais ninguém de boa fé poderá responder com uma verdade firme e definitiva.
O despudor prossegue. E, assim sendo, ano novo, procedimentos... velhos! Marcel, o melhor atleta da Académica, recusa-se a treinar e arrisca penalizações. Alguém crê que, pura e simplesmente, acordou mal disposto ou fartou-se que lhe chamassem estudante? É lógico que não! Era demasiado óbvio. Só podia ir para o Benfica. Viva a verdade desportiva!
A questão é simples: ou se é sério ou não se é. Não há meio termo, nem importa tentar emendar a mão ou recorrer a cosméticos de loja dos 300. É muito feio querer ficar bem na fotografia com gestos de falso samaritano, é escabroso apregoar o que não se tem. Neste caso, bons princípios.
O que se passou no Estoril-Benfica da temporada passada tresanda a intrujice. Com que fins é que uma equipa dá um tiro no próprio pé? Por que será que faz questão de alargar uma sepultura da qual até se podia salvar? As falsas ofendidas dirão que aqui não se detecta o aroma do esturro. Mas também só sabem mentir, enganar e enlear. Até são capazes de dizer que já não têm interesse directo no emblema rival quando, na realidade, como ainda recentemente se percebeu, continuam bem emaranhadas na sua sociedade moribunda. De pudicas, como se constata, nada têm.
Mas a bizarria projecta-se em episódios repetidos. Onde é que ficam os princípios, a transparência e a verdade desportiva quando se contrata atletas de um adversário imediato? É claro que podem jurar de forma pungente que Fonte rescindiu unilateralmente o seu vínculo com o V. Setúbal sem ser espicaçado por ninguém. Mas será que alguma alma acredita? Que atleta prefere o desemprego a um contrato de trabalho? E o guarda-redes de que tanto se falou? Apenas foi abordado no dia da famosa e, aparentemente, impune bofetada?
«O que conta é o futebol português e a sua própria credibilidade». Dito assim, sem máculas, soa muito bem. Mas será que os três pontos averbados na tal vergonha algarvia não podem ter decidido o campeonato transacto? E como teria finalizado o V. Setúbal-Benfica se Fonte estivesse no posto onde se tornou visível na Liga 2005/06? São questões em aberto, desafios aos quais ninguém de boa fé poderá responder com uma verdade firme e definitiva.
O despudor prossegue. E, assim sendo, ano novo, procedimentos... velhos! Marcel, o melhor atleta da Académica, recusa-se a treinar e arrisca penalizações. Alguém crê que, pura e simplesmente, acordou mal disposto ou fartou-se que lhe chamassem estudante? É lógico que não! Era demasiado óbvio. Só podia ir para o Benfica. Viva a verdade desportiva!
terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Jornalista
Um jornalista foi fazer uma reportagem a um asilo de velhos e pergunta a um velhote que estava sentado:
- A que é que se deve a sua idade tão avançada?
- Método, meu filho... Sempre tive uma hora certa para me deitar e para me levantar. O nosso organismo é uma máquina que precisa de método e horário.
O jornalista foi ter com outro e faz-lhe a mesma pergunta, ao que o velho responde:
- Sempre evitei as mulheres, meu jovem!
A seguir pergunta a outro:
- Eu nunca fumei, nunca bebi nem tive vícios de qualquer espécie.
A seguir o jornalista descobre o mais velho, o mais acabado, o mais enrugado de todos e muito admirado pergunta:
- Então, e o senhor, a que deve essa longevidade? Nunca teve vícios,festas ou mulheres?
- Qual quê! Eu nunca tive horário para nada, muita borga, copos,fumava três maços de tabaco por dia, jogo, mulheres com força, noites e noites sem dormir, eu sei lá que mais...
- Então, e quantos anos é que tem?
- Trinta e dois.
=========XXXX======
Vem um homem todo contente aos gritos por uma rua abaixo :
- Sou um homem! Eu sou um homem!
De vez em quando ele lá parava, até que levantava os braços e desatava aos saltos e ia outra vez rua abaixo:
- Sou um homem! Sou um homem mesmo a sério!
Até que alguém o abordou :
- Oh homem que raio de gritaria é essa? Toda a gente vê que você é um homem, porque é que você vem tão satisfeito afinal?
- É que acabei de levar no pacote e não gostei! Sou um homem!
==XX==
Depois de passar a noite com a amante, um homem fica com um arranhão na cara. Ele não sabia como se justificar a mulher se lhe perguntasse como ele ficou naquele estado. Ao ver o gato esparramado no sofá, ele tem a brilhante ideia de dar um valente pontapé no bichano, que solta um desesperado Miauuuuu!!! A mulher acorda assustada e pergunta:
- Que barulho foi este? - Foi o estupor do gato! - responde o marido, fazendo uma cena.
- Entrei em casa e ele atirou-se a mim, arranhando-me!
- Verdade! - concorda a mulher - Este gato esta impossível! Olha só o chupão que ele me deu no pescoço!
==XX==
Nova Técnica de Marketing para venda de Máquinas Digitais (de preferência Fuji):
Vai um homem à caça com a sua sogra. Já na mata, e de repente, um urso sai de um arbusto e ataca violentamente a respectiva sogra.
Esta gritava desesperadamente:
- Dispara!... Dispara!...
- Não tenho rolo! - gritou o genro... ( se tivesse uma digital? Não perdia este momento?)
- A que é que se deve a sua idade tão avançada?
- Método, meu filho... Sempre tive uma hora certa para me deitar e para me levantar. O nosso organismo é uma máquina que precisa de método e horário.
O jornalista foi ter com outro e faz-lhe a mesma pergunta, ao que o velho responde:
- Sempre evitei as mulheres, meu jovem!
A seguir pergunta a outro:
- Eu nunca fumei, nunca bebi nem tive vícios de qualquer espécie.
A seguir o jornalista descobre o mais velho, o mais acabado, o mais enrugado de todos e muito admirado pergunta:
- Então, e o senhor, a que deve essa longevidade? Nunca teve vícios,festas ou mulheres?
- Qual quê! Eu nunca tive horário para nada, muita borga, copos,fumava três maços de tabaco por dia, jogo, mulheres com força, noites e noites sem dormir, eu sei lá que mais...
- Então, e quantos anos é que tem?
- Trinta e dois.
=========XXXX======
Vem um homem todo contente aos gritos por uma rua abaixo :
- Sou um homem! Eu sou um homem!
De vez em quando ele lá parava, até que levantava os braços e desatava aos saltos e ia outra vez rua abaixo:
- Sou um homem! Sou um homem mesmo a sério!
Até que alguém o abordou :
- Oh homem que raio de gritaria é essa? Toda a gente vê que você é um homem, porque é que você vem tão satisfeito afinal?
- É que acabei de levar no pacote e não gostei! Sou um homem!
==XX==
Depois de passar a noite com a amante, um homem fica com um arranhão na cara. Ele não sabia como se justificar a mulher se lhe perguntasse como ele ficou naquele estado. Ao ver o gato esparramado no sofá, ele tem a brilhante ideia de dar um valente pontapé no bichano, que solta um desesperado Miauuuuu!!! A mulher acorda assustada e pergunta:
- Que barulho foi este? - Foi o estupor do gato! - responde o marido, fazendo uma cena.
- Entrei em casa e ele atirou-se a mim, arranhando-me!
- Verdade! - concorda a mulher - Este gato esta impossível! Olha só o chupão que ele me deu no pescoço!
==XX==
Nova Técnica de Marketing para venda de Máquinas Digitais (de preferência Fuji):
Vai um homem à caça com a sua sogra. Já na mata, e de repente, um urso sai de um arbusto e ataca violentamente a respectiva sogra.
Esta gritava desesperadamente:
- Dispara!... Dispara!...
- Não tenho rolo! - gritou o genro... ( se tivesse uma digital? Não perdia este momento?)
É Vinho!!!
No frigorífico, um copo de vinho começa a provocar um copo de leite:
-Ô, copinho! Estás muito branco!!!! Não tens vergonha dessa cor desbotada?
Vai apanhar um solzinho, que faz bem á saúde!
-Olha só, quem vem falar de saúde! Logo tu que prejudicas tanto a saúde das pessoas! Atacas o fígado, embriagas! Tu só fazes mal!!!
Mas o copo de vinho não se deu por vencido e respondeu:
-Tá certo! Tudo que falaste é verdade! Agora só tem um detalhe!
A minha mãe é uma uva... E a tua?
-Ô, copinho! Estás muito branco!!!! Não tens vergonha dessa cor desbotada?
Vai apanhar um solzinho, que faz bem á saúde!
-Olha só, quem vem falar de saúde! Logo tu que prejudicas tanto a saúde das pessoas! Atacas o fígado, embriagas! Tu só fazes mal!!!
Mas o copo de vinho não se deu por vencido e respondeu:
-Tá certo! Tudo que falaste é verdade! Agora só tem um detalhe!
A minha mãe é uma uva... E a tua?
Clubes do sul vêem cartão vermelho
Com o Vitória de Setúbal a viver no fio da navalha e a morte do futebol profissional no Farense, são cada vez menos os clubes do Sul a darem toques na bola. Uma hecatombe sem fim à vista, acentuada nas últimas três décadas.
Jorge Madeira agarra-se à vedação enferrujada do Estádio de São Luís. Apoia os cotovelos no gradeamento e espreita por entre aqueles quadradinhos de onde noutros tempos via grande futebol. O relvado está deserto, as bancadas vazias, os holofotes apagados. Um silêncio sepulcral invade o recinto, cortado a espaços pelo latir dos seus cães, trancados num anexo a poucos metros de distância.
Olhos fixos no vazio, a mente salta os muros do estádio, viaja por aquela altura em que palmilhava a Europa num camião de longo curso. Passaram 20 anos desde que se deixou de tal vida para vestir a camisola do Sporting Clube Farense, tornar-se pau para toda a obra. “Nesta casa já fui homem dos sete ofícios. Estive como porteiro, fui mulher de lavandaria e de limpeza, roupeiro, motorista, guarda, e hoje cuido da relva. Só me falta ser médico.”
A nostalgia invade-lhe o rosto. Apesar da dureza da labuta, estava melhor agarrado ao volante, pensa para com os seus botões. Se soubesse as partidas do destino, nunca tinha abandonado o asfalto. Agora passa por aflições. Vai para nove meses que o ordenado não lhe cai nas mãos. As dívidas amontoam-se no restaurante onde mata a fome e morre de vergonha por não saber quando poderá pagar a factura.
Os olhos enchem-se de lágrimas ao falar de um recente jejum de três dias, quando o estômago lhe abraçou as costas. “Já viu o que é um tipo ser obrigado a mendigar por dez euros para comprar umas carcaças e 200 gramas de queijo e fiambre? Em 55 anos passei muitas crises, inclusive aqui, porque os problemas económicos não são novos, mas nenhuma tão grande e profunda.”
Jorge sente como ninguém o descalabro desportivo do Farense. Mora num cantinho do estádio há duas décadas, preso a quatro paredes onde o luxo se fica por uma televisão e uma máquina de lavar roupa. Foi dali que assistiu a grandes futeboladas, quando os ‘três grandes’ enchiam as bancadas. “A minha maior alegria foi ver o clube ganhar várias vezes ao Benfica. Aquilo é que eram tempos de ouro.”
Fernando Nobre, vice-presidente do Farense, também presenciou as batalhas de David contra Golias. “O meu pai tinha um historial muito grande neste clube, como enfermeiro e massagista, e quando ele morreu deixou-me o espírito de ajuda à instituição. Há 20 anos comecei a tratar esta casa como a criança que vi nascer, que passou pela adolescência, pela idade adulta e que agora está numa fase de velhice, prestes a morrer”, dizia a poucos dias do anúncio oficial do fim do futebol sénior.
Antes de enveredar pelo dirigismo, Fernando podia ter-se feito valer do curso de fisioterapeuta. Teve vários convites para mudar de ares, rumar à Luz, mas preferiu assentar arraiais no Sul, sentir ao vivo os intensos momentos de futebol no São Luís. “Houve muita alegria e muito choro neste estádio. Foram anos maravilhosos, de glórias, entre elas a ida à final da Taça de Portugal e às competições europeias. Hoje reconheço que a estrutura era muito pesada e que estamos a discutir tostões que naquela altura tinham sido muito importantes e não foram poupados.”
A fatiota de novo rico, corte fino, direitinho, que o Farense usou há uma década, quando espantou tudo e todos com um quinto lugar na tabela classificativa, não condizia com a sua verdadeira condição económica. E está gasta, coçada, rota mesmo. Ainda assim, em dois anos e meio a actual direcção conseguiu travar o descalabro financeiro, saldar algumas dívidas, adiar o enterro de um ‘doente’ terminal.
Desde a descida abrupta aos escalões inferiores que a história se repetia: no início de cada temporada os juniores assumiam o papel de seniores, até haver dinheiro para pagar as dívidas ao fisco. Este ano agigantaram-se ao cometerem a ousadia de aguentarem o ritmo desenfreado de jogos ao sábado e ao domingo durante sete jornadas. A história foi escrita assim até Pedro Moreira, treinador dos miúdos, dizer basta. “Esticámos a corda ao máximo, os índices físicos baixaram e às tantas tornou-se complicado aguentar dois campeonatos. Apareceram as lesões, as expulsões, e fomos perdendo atletas por causa de um escalão que não era o nosso. Era impossível continuarmos. ”
Cedo se percebeu que os jovens eram actores no filme errado. Apesar do esforço, os jogos na série F da Terceira Divisão em nome de uma equipa sénior fantasma, que treinava mas oficialmente nunca chegou a aparecer, mostraram-se dignos do programa ‘A Liga dos Últimos’: seis derrotas e uma vitória, dois golos marcados e 25 sofridos.
A oito quilómetros dali, em Olhão, respira-se ar mais saudável. O clube local faz uma longa travessia no deserto desde 1975, último ano em que militou na Primeira Divisão, mas não tem problemas de tesouraria e está em terceiro lugar na Liga de Honra. Isidoro de Sousa, 48 anos, responsável pelo departamento de futebol sénior, conta duas décadas ao serviço da instituição e orgulha-se de ter resistido à hecatombe que varreu o Sul. “O Olhanense passou um mau bocado mas hoje está bem de saúde, principalmente porque assegurámos sempre o património. Somos muito conservadores, crescemos com os pés assentes na terra”, explica.
Com a revolução em marcha, a ideia é transformar os ‘rubro-negros’ numa referência no panorama futebolístico em pouco tempo. Assim queiram os bons ventos do Mediterrâneo e a fé dos homens. “A breve trecho vamos constituir uma SAD, que passa pela aposta forte no futebol profissional e numa subida à Primeira Liga”, diz, convicto de que o Algarve poderá ter outro clube entre os grandes.
Olhanense e Portimonense (também na Liga de Honra) são casos raros por aquelas bandas, a remarem sozinhos contra a maré. A culpa de descalabros alheios está, segundo Isidoro, na inconsciência das pessoas que dirigem os clubes. “Muitos delapidaram o património, endividaram-se, construíram orçamentos maiores do que podiam. Agora pagam a factura. Nós, pelo contrário, acautelámos a questão financeira, com a máxima de que se temos dez nunca podemos gastar 15.”
Nos confins do país, encostada à fronteira com Espanha, Campo Maior também já sentiu a amargura de perder o futebol profissional. O adeus ao escalão principal aconteceu em 2001, quando o 16.º lugar na tabela levou João Nabeiro a colocar um ponto final numa bem sucedida aventura pelos relvados, voltando à estaca zero.
Quinze anos antes, ao assumir a presidência, herdara do pai, Rui Nabeiro, uma dívida de 60 mil contos e um emblema à espera de alguém que o empurrasse para cima. A tarefa trouxe-lhe muitas dores de cabeça e custou rios de dinheiro, nunca compensados pela venda diminuta de ‘merchadising’. Os ‘leões’ sofreram uma mutação, transformaram--se em galgos e nem assim se venderam mais ‘t-shirts’ ou se encontraram fontes alternativas de receita. “Tentámos de tudo, mas perdemos capital. Posso mesmo afirmar que durante o período em que o clube esteve na Primeira Divisão devo ter investido aqui entre três a quatro milhões de contos. Qual foi o retorno disso?”, questiona o ainda hoje presidente do Sporting Clube Campomaiorense antes disparar a resposta: “Praticamente nenhum.”
Paredes-meias com Badajoz, a pequena localidade de dez mil habitantes já não vibra com o rebuliço das centenas de forasteiros que quinzenalmente assistiam às jogatanas no Estádio Capitão César Correia, enchiam restaurantes e cafés, davam vida à terra. Pior, o cenário tristonho tornou-se perigosamente indiferente em quatro anos, porque João deixou de interpretar o papel do carola que injectava dinheiro sem olhar a meios para se transformar no empresário cauteloso que não podia perder mais: “Quando decidi acabar com o futebol profissional o presidente da Liga, major Valentim Loureiro, telefonava-me quase todos os dias a pedir para não fazer isso, a argumentar que devia aguentar mais uma época. Mas eu é que punha aqui o dinheiro, eu é que estava a perder, tinha uma situação deficitária e não dava para sustentar isto por mais tempo. Era uma bola de neve que tinha de ser travada.”
Hoje, o Campomaiorense tem 20 empregados, um orçamento modesto, mas continua a dar prejuízo. João é incapaz de fugir ao destino e continua a colocar dinheiro para saldar as dívidas, normalmente a rondarem os 25 mil euros mensais. “Ontem como hoje têm sido os Cafés Delta a tampar o buraco financeiro. O clube está nas mãos deste ramo da família Nabeiro há 40 anos e só a ligação afectiva faz com que continuemos aqui.”
Com a questão do regresso à Primeira Liga posta de lado, o solitário mecenato consegue manter apenas as camadas jovens. Uma sorte. Que o diga Tiago Rasquete. Aos 18 anos, o guarda-redes dos juniores palmilha todos os dias 70 quilómetros para poder usar as luvas e não se lembra de ver os galgos morderem na Primeira Divisão. “Não estava cá nessa altura, era muito novo. Venho de longe, estou aqui vai para dois anos e é um bocado triste não termos nenhuma equipa do Alentejo no topo.”
Habituado a dividir o futebol com a escola, Tiago vale-se do gosto pela modalidade para continuar a correr todos os dias uma verdadeira maratona. O ano passado chumbou a Matemática, único tropeção em 12 anos de estudo. A acabar o secundário há noite e prestes a arranjar emprego, espera conseguir conciliar todas essas actividades para atingir o seu sonho: jogar no Benfica.
Manuel Henrique leva 22 anos de futebol, 20 dos quais com o símbolo do Campomaiorense ao peito. Actualmente coordena os juniores, dá-lhes ânimo para enfrentarem a adversidade, pensarem que a carreira não tem de acabar na fronteira. “Estamos para aqui desterrados mas tento incutir-lhes a ideia de que estão a ser formados para outros. Há alguns exemplos de sucesso e isso ajuda a motivá-los, embora não possa negar que existe um vazio difícil de gerir”, confessa. Todos os anos, os 22 jogadores do plantel repetem em uníssono: “Vamos começar com os seniores?” Manuel chuta a resposta para canto afirmando não depender dele, “porque se assim fosse eles já estavam a jogar, nem que fosse nos distritais.”
A razia aos clubes a Sul do Tejo tornou-se uma realidade cada vez mais dura desde o 25 de Abril de 1974. A Revolução dos Cravos não lhes fez bem, a começar por alguns dos que estavam encostados ao rio, então habituados a uma pequena travessia para defrontarem os gigantes do futebol nacional.
No mercado do peixe do Barreiro, Francisco Costa recorda a altura em que a cidade se engalanava de cada vez que o principal clube da terra recebia o Benfica, o Sporting e o Porto. Sócio ferrenho do Barreirense, assistiu de perto àquele período de ouro. A alegria da última subida à Primeira Divisão, em 1978, ainda faz parte das suas memórias. “Foi uma doidice. Andámos aí com os carros até às tantas. Parecia que Portugal tinha sido campeão da Europa. Lembro-me que ganhámos o último jogo em Almada, por um 1-0, com o golo do Arnaldo, um grande jogador.”
Foi sol de pouca dura já que na época seguinte o Barreirense desceu, para nunca mais voltar. Agora, na Liga de Honra, renasce a esperança. Está quase. “É possível, embora difícil, mas tenho de reconhecer que seria uma alegria enorme. Não queria morrer sem ver isso tornar-se realidade.” A uns quantos quilómetros de distância, o Clube Desportivo do Montijo também olha o Tejo mas não partilha tamanha esperança. Desde 1977, quando abandonou o escalão maior, que nunca mais se recompôs. Depois de vários anos na Segunda Divisão B, bateu no fundo do poço – parece quase impossível saltar da Terceira Divisão.
Carlos Dias esteve presente nos bons e nos maus momentos, antes como vogal, agora como presidente da colectividade, que se afundou nos anos em que ele decidiu afastar-se. “Entristece-me a situação actual. Se o futebol acabar o que vai acontecer a esta cidade, o que vai ser desta população ao domingo à tarde, único momento em que se vê alguma felicidade nas pessoas? Se não houver jogo isto é uma terra morta, fantasma.”
Noutros tempos o Montijo arrastava 20 ou 30 autocarros para as deslocações de Norte a Sul do País. Hoje nem dez automóveis compõem a caravana. O património, muito e valioso, desapareceu em passes de magia. Falta encontrar o ilusionista que deixou apenas um milhão e 500 mil euros para pagar aos fisco. “Quando aqui entrei fui à procura de papéis que justificassem tamanho prejuízo mas desapareceram. Muita gente deve ter ganho dinheiro à custa do clube. Só aceitei esta posição porque há aí uma facção interessada em ver isto fechado. Não lhes vou fazer a vontade.” No Montijo, ainda é a sua carolice que mantém o clube vivo.
JNPC
Jorge Madeira agarra-se à vedação enferrujada do Estádio de São Luís. Apoia os cotovelos no gradeamento e espreita por entre aqueles quadradinhos de onde noutros tempos via grande futebol. O relvado está deserto, as bancadas vazias, os holofotes apagados. Um silêncio sepulcral invade o recinto, cortado a espaços pelo latir dos seus cães, trancados num anexo a poucos metros de distância.
Olhos fixos no vazio, a mente salta os muros do estádio, viaja por aquela altura em que palmilhava a Europa num camião de longo curso. Passaram 20 anos desde que se deixou de tal vida para vestir a camisola do Sporting Clube Farense, tornar-se pau para toda a obra. “Nesta casa já fui homem dos sete ofícios. Estive como porteiro, fui mulher de lavandaria e de limpeza, roupeiro, motorista, guarda, e hoje cuido da relva. Só me falta ser médico.”
A nostalgia invade-lhe o rosto. Apesar da dureza da labuta, estava melhor agarrado ao volante, pensa para com os seus botões. Se soubesse as partidas do destino, nunca tinha abandonado o asfalto. Agora passa por aflições. Vai para nove meses que o ordenado não lhe cai nas mãos. As dívidas amontoam-se no restaurante onde mata a fome e morre de vergonha por não saber quando poderá pagar a factura.
Os olhos enchem-se de lágrimas ao falar de um recente jejum de três dias, quando o estômago lhe abraçou as costas. “Já viu o que é um tipo ser obrigado a mendigar por dez euros para comprar umas carcaças e 200 gramas de queijo e fiambre? Em 55 anos passei muitas crises, inclusive aqui, porque os problemas económicos não são novos, mas nenhuma tão grande e profunda.”
Jorge sente como ninguém o descalabro desportivo do Farense. Mora num cantinho do estádio há duas décadas, preso a quatro paredes onde o luxo se fica por uma televisão e uma máquina de lavar roupa. Foi dali que assistiu a grandes futeboladas, quando os ‘três grandes’ enchiam as bancadas. “A minha maior alegria foi ver o clube ganhar várias vezes ao Benfica. Aquilo é que eram tempos de ouro.”
Fernando Nobre, vice-presidente do Farense, também presenciou as batalhas de David contra Golias. “O meu pai tinha um historial muito grande neste clube, como enfermeiro e massagista, e quando ele morreu deixou-me o espírito de ajuda à instituição. Há 20 anos comecei a tratar esta casa como a criança que vi nascer, que passou pela adolescência, pela idade adulta e que agora está numa fase de velhice, prestes a morrer”, dizia a poucos dias do anúncio oficial do fim do futebol sénior.
Antes de enveredar pelo dirigismo, Fernando podia ter-se feito valer do curso de fisioterapeuta. Teve vários convites para mudar de ares, rumar à Luz, mas preferiu assentar arraiais no Sul, sentir ao vivo os intensos momentos de futebol no São Luís. “Houve muita alegria e muito choro neste estádio. Foram anos maravilhosos, de glórias, entre elas a ida à final da Taça de Portugal e às competições europeias. Hoje reconheço que a estrutura era muito pesada e que estamos a discutir tostões que naquela altura tinham sido muito importantes e não foram poupados.”
A fatiota de novo rico, corte fino, direitinho, que o Farense usou há uma década, quando espantou tudo e todos com um quinto lugar na tabela classificativa, não condizia com a sua verdadeira condição económica. E está gasta, coçada, rota mesmo. Ainda assim, em dois anos e meio a actual direcção conseguiu travar o descalabro financeiro, saldar algumas dívidas, adiar o enterro de um ‘doente’ terminal.
Desde a descida abrupta aos escalões inferiores que a história se repetia: no início de cada temporada os juniores assumiam o papel de seniores, até haver dinheiro para pagar as dívidas ao fisco. Este ano agigantaram-se ao cometerem a ousadia de aguentarem o ritmo desenfreado de jogos ao sábado e ao domingo durante sete jornadas. A história foi escrita assim até Pedro Moreira, treinador dos miúdos, dizer basta. “Esticámos a corda ao máximo, os índices físicos baixaram e às tantas tornou-se complicado aguentar dois campeonatos. Apareceram as lesões, as expulsões, e fomos perdendo atletas por causa de um escalão que não era o nosso. Era impossível continuarmos. ”
Cedo se percebeu que os jovens eram actores no filme errado. Apesar do esforço, os jogos na série F da Terceira Divisão em nome de uma equipa sénior fantasma, que treinava mas oficialmente nunca chegou a aparecer, mostraram-se dignos do programa ‘A Liga dos Últimos’: seis derrotas e uma vitória, dois golos marcados e 25 sofridos.
A oito quilómetros dali, em Olhão, respira-se ar mais saudável. O clube local faz uma longa travessia no deserto desde 1975, último ano em que militou na Primeira Divisão, mas não tem problemas de tesouraria e está em terceiro lugar na Liga de Honra. Isidoro de Sousa, 48 anos, responsável pelo departamento de futebol sénior, conta duas décadas ao serviço da instituição e orgulha-se de ter resistido à hecatombe que varreu o Sul. “O Olhanense passou um mau bocado mas hoje está bem de saúde, principalmente porque assegurámos sempre o património. Somos muito conservadores, crescemos com os pés assentes na terra”, explica.
Com a revolução em marcha, a ideia é transformar os ‘rubro-negros’ numa referência no panorama futebolístico em pouco tempo. Assim queiram os bons ventos do Mediterrâneo e a fé dos homens. “A breve trecho vamos constituir uma SAD, que passa pela aposta forte no futebol profissional e numa subida à Primeira Liga”, diz, convicto de que o Algarve poderá ter outro clube entre os grandes.
Olhanense e Portimonense (também na Liga de Honra) são casos raros por aquelas bandas, a remarem sozinhos contra a maré. A culpa de descalabros alheios está, segundo Isidoro, na inconsciência das pessoas que dirigem os clubes. “Muitos delapidaram o património, endividaram-se, construíram orçamentos maiores do que podiam. Agora pagam a factura. Nós, pelo contrário, acautelámos a questão financeira, com a máxima de que se temos dez nunca podemos gastar 15.”
Nos confins do país, encostada à fronteira com Espanha, Campo Maior também já sentiu a amargura de perder o futebol profissional. O adeus ao escalão principal aconteceu em 2001, quando o 16.º lugar na tabela levou João Nabeiro a colocar um ponto final numa bem sucedida aventura pelos relvados, voltando à estaca zero.
Quinze anos antes, ao assumir a presidência, herdara do pai, Rui Nabeiro, uma dívida de 60 mil contos e um emblema à espera de alguém que o empurrasse para cima. A tarefa trouxe-lhe muitas dores de cabeça e custou rios de dinheiro, nunca compensados pela venda diminuta de ‘merchadising’. Os ‘leões’ sofreram uma mutação, transformaram--se em galgos e nem assim se venderam mais ‘t-shirts’ ou se encontraram fontes alternativas de receita. “Tentámos de tudo, mas perdemos capital. Posso mesmo afirmar que durante o período em que o clube esteve na Primeira Divisão devo ter investido aqui entre três a quatro milhões de contos. Qual foi o retorno disso?”, questiona o ainda hoje presidente do Sporting Clube Campomaiorense antes disparar a resposta: “Praticamente nenhum.”
Paredes-meias com Badajoz, a pequena localidade de dez mil habitantes já não vibra com o rebuliço das centenas de forasteiros que quinzenalmente assistiam às jogatanas no Estádio Capitão César Correia, enchiam restaurantes e cafés, davam vida à terra. Pior, o cenário tristonho tornou-se perigosamente indiferente em quatro anos, porque João deixou de interpretar o papel do carola que injectava dinheiro sem olhar a meios para se transformar no empresário cauteloso que não podia perder mais: “Quando decidi acabar com o futebol profissional o presidente da Liga, major Valentim Loureiro, telefonava-me quase todos os dias a pedir para não fazer isso, a argumentar que devia aguentar mais uma época. Mas eu é que punha aqui o dinheiro, eu é que estava a perder, tinha uma situação deficitária e não dava para sustentar isto por mais tempo. Era uma bola de neve que tinha de ser travada.”
Hoje, o Campomaiorense tem 20 empregados, um orçamento modesto, mas continua a dar prejuízo. João é incapaz de fugir ao destino e continua a colocar dinheiro para saldar as dívidas, normalmente a rondarem os 25 mil euros mensais. “Ontem como hoje têm sido os Cafés Delta a tampar o buraco financeiro. O clube está nas mãos deste ramo da família Nabeiro há 40 anos e só a ligação afectiva faz com que continuemos aqui.”
Com a questão do regresso à Primeira Liga posta de lado, o solitário mecenato consegue manter apenas as camadas jovens. Uma sorte. Que o diga Tiago Rasquete. Aos 18 anos, o guarda-redes dos juniores palmilha todos os dias 70 quilómetros para poder usar as luvas e não se lembra de ver os galgos morderem na Primeira Divisão. “Não estava cá nessa altura, era muito novo. Venho de longe, estou aqui vai para dois anos e é um bocado triste não termos nenhuma equipa do Alentejo no topo.”
Habituado a dividir o futebol com a escola, Tiago vale-se do gosto pela modalidade para continuar a correr todos os dias uma verdadeira maratona. O ano passado chumbou a Matemática, único tropeção em 12 anos de estudo. A acabar o secundário há noite e prestes a arranjar emprego, espera conseguir conciliar todas essas actividades para atingir o seu sonho: jogar no Benfica.
Manuel Henrique leva 22 anos de futebol, 20 dos quais com o símbolo do Campomaiorense ao peito. Actualmente coordena os juniores, dá-lhes ânimo para enfrentarem a adversidade, pensarem que a carreira não tem de acabar na fronteira. “Estamos para aqui desterrados mas tento incutir-lhes a ideia de que estão a ser formados para outros. Há alguns exemplos de sucesso e isso ajuda a motivá-los, embora não possa negar que existe um vazio difícil de gerir”, confessa. Todos os anos, os 22 jogadores do plantel repetem em uníssono: “Vamos começar com os seniores?” Manuel chuta a resposta para canto afirmando não depender dele, “porque se assim fosse eles já estavam a jogar, nem que fosse nos distritais.”
A razia aos clubes a Sul do Tejo tornou-se uma realidade cada vez mais dura desde o 25 de Abril de 1974. A Revolução dos Cravos não lhes fez bem, a começar por alguns dos que estavam encostados ao rio, então habituados a uma pequena travessia para defrontarem os gigantes do futebol nacional.
No mercado do peixe do Barreiro, Francisco Costa recorda a altura em que a cidade se engalanava de cada vez que o principal clube da terra recebia o Benfica, o Sporting e o Porto. Sócio ferrenho do Barreirense, assistiu de perto àquele período de ouro. A alegria da última subida à Primeira Divisão, em 1978, ainda faz parte das suas memórias. “Foi uma doidice. Andámos aí com os carros até às tantas. Parecia que Portugal tinha sido campeão da Europa. Lembro-me que ganhámos o último jogo em Almada, por um 1-0, com o golo do Arnaldo, um grande jogador.”
Foi sol de pouca dura já que na época seguinte o Barreirense desceu, para nunca mais voltar. Agora, na Liga de Honra, renasce a esperança. Está quase. “É possível, embora difícil, mas tenho de reconhecer que seria uma alegria enorme. Não queria morrer sem ver isso tornar-se realidade.” A uns quantos quilómetros de distância, o Clube Desportivo do Montijo também olha o Tejo mas não partilha tamanha esperança. Desde 1977, quando abandonou o escalão maior, que nunca mais se recompôs. Depois de vários anos na Segunda Divisão B, bateu no fundo do poço – parece quase impossível saltar da Terceira Divisão.
Carlos Dias esteve presente nos bons e nos maus momentos, antes como vogal, agora como presidente da colectividade, que se afundou nos anos em que ele decidiu afastar-se. “Entristece-me a situação actual. Se o futebol acabar o que vai acontecer a esta cidade, o que vai ser desta população ao domingo à tarde, único momento em que se vê alguma felicidade nas pessoas? Se não houver jogo isto é uma terra morta, fantasma.”
Noutros tempos o Montijo arrastava 20 ou 30 autocarros para as deslocações de Norte a Sul do País. Hoje nem dez automóveis compõem a caravana. O património, muito e valioso, desapareceu em passes de magia. Falta encontrar o ilusionista que deixou apenas um milhão e 500 mil euros para pagar aos fisco. “Quando aqui entrei fui à procura de papéis que justificassem tamanho prejuízo mas desapareceram. Muita gente deve ter ganho dinheiro à custa do clube. Só aceitei esta posição porque há aí uma facção interessada em ver isto fechado. Não lhes vou fazer a vontade.” No Montijo, ainda é a sua carolice que mantém o clube vivo.
JNPC

Cuidado com as aparências... mas tenho a certeza que muitos dos que estão a ver a imagem, ficam entusiasmados...
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